O caso de Jaurès García: Queremos saber a verdade
Por Rubem Centeno, membro da CRMH da Coruña
Jaurès Araquistain García García tinha 18 anos e era vizinho do bairro corunhês de Montealto. Um mês como hoje, o 13 de Janeiro de 1937 o seu corpo sem vida foi sepultado numha fosa comum no Cemitério de Sto. Amaro junto a outras duas pessoas: José Maria Eiris Carro e Leovigildo Taboada Alvarellos. Os três estavam pressos no cârcere da Corunha à espera de juíço.
Jaurés entrara no cârcere com 17 anos pouco depois do Golpe de Estado, junto aos seus irmáns France e Bebel (o jogador do Deportivo) e outro vizinho de Vionho, Enrique Miguel Moscoso. Os 4 moços foram condeados a morte polos militares golpistas, sendo fusilados no Campo da Rata os 3 últimos a finais de Julho de 1936. A crueldade dos golpistas cebou-se com este rapaz de 17 anos que permaneceu com vida na prisom vários meses mais, sabendo que os seus irmáns foram assassinados.
A princípios de Janeiro de 1937 Jaurès foi sacado da prisom, esposado, junto ao Secretário do Governador Civil, Leovigildo Taboada Alvarellos e o livreiro e republicano José María Eirís carro (também esposados). Os 3 deviam ser conduzidos desde o cârcere à estaçom de ferrocarril para serem trasladados por ordem guvernativa à Prisom de Sam Cristovo, em Navarra. Nunca chegarom. O veículo que os levava dirigiu-se cara Ponta Hermínia onde se detivo, para serem-lhes aplicada a denominada “lei de fugas”: foi umha execuçom extrajudicial.
A “lei de fugas” é umha prática que ainda que se conhece coloquialmente como “lei” nunca existiu como norma legal escrita no Direito. Foi um método de repressom social consistente em simular a evassom dum detido para que as forças de ordem pública puderam disparar-lhe polas costas co pretexto de impedir a sua fugida. Apesar de que é o seu uso é anterior á ditadura franquista esta forma de execuçom extrajudicial utilizou-se de foma sistemática polos golpistas para eliminar aos opositores ao franquismo. A “lei de fugas” está considerada polo direito internacional como um crimem de lesa humanidade. As fossas comuns de Sto. Amaro dám conta da existência doutros assassinatos extrajudiciais, como a matança ocorrida o 28 de Agosto de 1936 na contorna do Castro de Elvinha: um total de 7 pessoas forom assassinadas por este método, entre elas o professor da Escola de Comércio Uxio Carré Naya e o camareiro José Rosende Calvo.
Umha sociedade nom pode construir-se baixo o esquecimento, a mentira e a impunidade. Por isso queremos saber a verdade do que ocorreu. O caso de Jaurès nom é algo ilhado nem tampouco é umha qüestom do passado. É presente. Os seus restos continuam ainda desaparecidos e, a dia de hoje, nem sequera contamos cumha investigaçom ou com dados oficiais que dem conta dos galegos e galegas que, em aplicaçom da “lei de fugas”, forom assassinad@s durante a ditadura franquista.
Jaurès, com 18 anos, tinha toda a vida por diante. Estava esposado e apresentava dous tiros na nuca quando os mesmos golpistas que o matarom certificarom a sua morte no acantilado próximo à curva da Estrada de Circunvalaçom de Ponta Hermínia. A sua nai, vizinha da Rua Sam Roque, foi submetida a vigiância e a interrogatórios por parte das autoridades nos anos seguintes ao seu assassinato, segundo consta numha ficha de ordem pública franquista.
Era a nai de Bebel, France e Jaurès, os irmáns de Montealto assassinados por defenderem A Corunha do fascismo.


